Você sabe o que é brogrammer?

Cool Code Bro: Brogrammers, Geek Anxiety and the New Tech Elite

Acaba de ser publicado um livro que dá uma nova dimensão ao termo brogrammers, até então restrito aos círculos de tecnologia do Vale do Silício. Escrito pelo jornalista Nick Parish e disponível na Amazon como e-book, o livro Cool Code Bro: Brogrammers, Geek Anxiety and the New Tech Elite expõe não só o fenômeno do brogrammer mas também uma transformação profunda na cultura do Vale. Criadas em um ambiente de pura democracia, criatividade e igualdade, as novas empresas de tecnologia que cresceram na Califórnia agora estão perdendo terreno para companhias que se parecem mais com as do filme Lobo de Wall Street do que com a fase supergeek da Apple, com Steve Wozniack.

Mas, afinal, o que é um brogrammer? Se você é fã do seriado Silicon Valley, da HBO, deve ter assistido ao primeiro episódio, em que o protagonista, o nerd Richard, encontra dois colegas de trabalho sarados que tiram sarro dele.

O brogrammer é aquele macho alfa superconfiante, bom nos esportes e na conquista. Mas que também sabe programar. Comparável ao estereótipo do americano fanático por esportes, o “bro” também desfruta de um comportamento imaturo, competitivo e hostil. É a antítese do nerd, que tem sua imagem associada a um comportamento pacífico e introvertido, típico do início do Vale do Silício, quando os profissionais cresciam por merecimento, e não pelo comportamento agressivo e oportunista.

Alguns exemplos de brogrammers: Rob Spectre, criador da plataforma de comunicação Twilio; David Litwak, do serviço de busca de transporte em aeroportos Mozio; e até mesmo Drew Houston, um dos fundadores do serviço de armazenagem Dropbox.

Mas por que o mundo geralmente dominado pelos geeks agora começa a ser invadido por esse estereótipo bizarro? “Os brogrammers podem ser facilmente comparados aos yuppies dos anos 80”, me disse Nick Parish. “Eles são atraídos por uma cultura de ganhar dinheiro rápido, com muita diversão pelo caminho. Com a crise financeira, o encanto de Wall Street acabou. Foi substituído pela cultura de startups do Vale do Silício.” Investimentos de milhões de dólares do dia para a noite, escritórios regados a cerveja e com mesas de pingue-pongue e shows exclusivos — tudo isso está dando às empresas de tecnologia um novo estilo de vida rock’n’roll, em que os “machos alfa” conseguem aquilo com o que sonham.

Já escrevi aqui sobre o hacker como um símbolo de status, sobre a invasão de Hollywood no Vale do Silício e até mesmo sobre como futuros empresários viraram celebridade em colunas sociais. Todos esses fenômenos, segundo Nick Parish, podem estar contribuindo para a transformação da cultura tech em um pastiche da cultura yuppie.

Mas há luz no fim do túnel. O último capítulo do livro oferece uma ideia interessante: conquistar mais alunos e alunas exemplares para o mundo da computação. Inspirá-los com a parte criativa do codding, e não só com o lado da matemática ou a parte oportunista que vem com a promessa de fama e muito dinheiro. Espero que isso seja verdade e que o próximo hackathon do TechCrunch Disrupt aconteça sem aplicativos sexistas como o Titstare, ápice da invenção infantil típica dos brogrammers.

por Alessandra Lariu | Exame Info

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s